Projecto de aconselhamento ético para crianças:
Filosofia para crianças.

Apresentação:
Este projecto apresenta um enquadramento teórico e científico
com base na promoção da capacidade dos alunos para aprender
e desenvolver as competências críticas que só as ciências filosóficas
podem fornecer.


E para ser um pouco mais claro acerca deste projecto de filosofia
na educação dos jovens poderia dizer que se trata de um aprender
a aprender…

Neste âmbito cabe ao filósofo fomentar as dimensões cognitivas, sócio-afectivas e criativas dos alunos.
Na minha opinião trata-se de uma área fundamental em matéria
de educação.

Fundamentalmente se tivermos em conta as estatísticas
de insucesso escolar dos nossos alunos, bem como a crise social,
política e espiritual em Portugal.

A filosofia surge tardiamente nos currículos dos alunos
(o 10º ano éuma breve introdução ao pensamento critico, autónomo
e criativo e no 11º ano o desenvolvimento e consolidação).

Temos de assumir definitivamente estratégias claras, sólidas e eficazes que visem uma formação integral dos alunos,
isto é, corpo, inteligência, espírito e realização social (dimensões estas que as escolas devem promover de um modo
responsável mas efectivo).

Assim a filosofia para crianças teria um papel de destaque no percurso académico dos alunos, quer como preparação
para a filosofia do 10º ano, quer como base de todas as outras áreas de formação:
- As competências críticas promovidas pela filosofia devem ser estimuladas desde o inicio.

Se neste campo também considerarmos as competências éticas rejeitar a filosofia para crianças desde o 1º ciclo
seria o mesmo que rejeitar a importância do respeito, da solidariedade e da tolerância como valores éticos fundamentais.

Aqui surge espaço para a pergunta:
- Será que uma criança é capaz de compreender a filosofia?

E neste contexto vou apoiar-me no Dr. Peter Raabe, professor na Fraser Valley University
e conselheiro filosófico canadiano, o qual defende, no seu livro Philosophical Couselling:
- Teory and practice, no capítulo Couselling children, que apesar das crianças terem um vocabulário mais reduzido a sua perspicácia é muito grande.

Métodos:
Julgo que o método de Lipman será o mais avançado e o que apresenta mais benefícios para os alunos.
Este método baseia-se no sistema socrático de perguntar:
-Estará correcto mentir e roubar?
-O que caracteriza um bom amigo?
-Como lidamos com uma pessoa que pretende ser nosso amigo mas de quem não gostamos?
-Devemos preocupar-nos com alguém que amamos?

Através da aplicação desta metodologia de aconselhamento filosófico, o professor ajuda os alunos
a debaterem o tema com mais profundidade auxiliando os alunos a pensarem sobre os próprios sentimentos e sobre
a importância de saber e aprender.

Esta metodologia permite, ainda, a realização de um diálogo filosófico, conceptual e crítico com a vantagem de ser sempre sobre situações
da vida real/prática.

A vantagem destas sessões prende-se com o facto das crianças terem um profundo interesse nos benefícios visto ajudá-las a conhecerem-se melhor e a vida que vivem.

Desta forma os alunos passam a ter uma maior noção do que é viver
uma “vida boa”.

Assim podemos tirar duas conclusões:
1º) O trabalho de um conselheiro filosófico nas escolas é essencial ao nível da formação para a autonomia reflexiva.
2º) A disciplina para crianças é igualmente essencial no sentido de desenvolver as competências críticas dos alunos.

Parece-me evidente que o método de Lipman deve ser aplicado desde o 1º ciclo, fundamentalmente porque as crianças
nessa idade atravessam uma fase única e crucial para aprenderem novas linguagens bem como competências fundamentais.

Quem aprende e exercita as suas competências críticas torna-se mãos dotado para as outras aprendizagens
durante a sua vida. Contudo assalta-me a dúvida:
- Será que o sistema económico e político tem interesse em que os cidadãos sejam pouco críticos
e que isso explica o desinteresse e o não querer apostar no ensino, desde cedo, da filosofia?

Julgo que a incapacidade para uma argumentação racional e para o diálogo, sobretudo para partes que estejam em conflito,
apenas agrava a situação assim como coloca em causa o modelo social pretendido bem como os ideais democráticos
que pautam a nossa sociedade.

Piaget (famoso psicólogo) defende que certas competências, principalmente no campo da ética e da sociabilidade,
devem ser aprendidas desde muito cedo para que, pela prática se criem hábitos éticos, de raciocínio moral, racional, critico,
criativo e livre nas mente dos jovens alunos e futuros cidadãos.

Conclusão:
Este projecto pretende promover a autonomia reflexiva no aluno e a consciência atenta e racional o mais cedo possível.
Hoje em dia verifica-se uma realidade sócio-politica que determina que o sistema de ensino português valoriza mais,
e de forma excessiva, os resultados em detrimento dos processos.

É imperativo dotar as crianças de competências filosóficas de procura de sentido da existência e,
através da reflexão filosófica, e da argumentação racional, encontrar uma orientação para a resolução de problemas
(dilemas éticos, por exemplo ).

Trata-se de um projecto claramente orientado para a formação de carácter da criança, da sua identidade, personalidade
solidamente estruturada sobre valores éticos, humanos e fundamentais.

Para concluir proponho, aos responsáveis, que este projecto seja aplicado no âmbito das actividades curriculares,
no mínimo duas vezes por semana em blocos de 90 minutos até ao 9º ano.
Os habilitados serão os licenciados em filosofia ou com uma especialização pedagógica em filosofia.

Subscrevo-me com a mais elevada consideração:
_______________________________________________________________ Luís Miguel Sousa Dias Bento Araújo.



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